Quando alguém menciona que se dedica ao triathlon, imediatamente percebe em seu interlocutor um misto de espanto e admiração, muitas vezes seguido por interjeições sobre a loucura de acordar às madrugadas para pedalar, sair da cama numa manhã gelada para se jogar numa piscina ou correr horas a fio sob um sol escaldante. Por trás desse aparente exagero do triatleta, há na verdade um grau de comprometimento com seu esporte que dificilmente será compreendido por quem não se dedica na mesma intensidade a alguma outra atividade. O triatleta encara seu esporte não como mero hobby, mas como forma de estar no mundo, pautada pelo amor a uma vida saudável e vital, pela valorização da disciplina e do esforço e pela constante busca pela autossuperação.

Esses valores, coincidentemente, são muito semelhantes àqueles professados pelos praticantes do Método DeRose. Como um conjunto de conceitos e técnicas que procuram despertar o máximo potencial de quem a ele se dedica, o Método DeRose induz os seus praticantes a um constante esforço sobre si próprio, a um aprimoramento que vai muito além do aumento da força, flexibilidade e consciência corporal do indivíduo, mas que o leva também a uma percepção mais ampla de suas emoções, pensamentos e outros aspectos mais sutis da personalidade – conduzindo, no fim das contas, ao auto-conhecimento.

Em razão dessa semelhança de propósitos, as ferramentas do arsenal do Método DeRose são de grande valia para o triatleta, seja ele um mero iniciante, seja ele um atleta de elite que está em busca daquela arma secreta que fará a diferença entre ele e seu colega que tem o mesmo talento para o esporte e que se dedica com a mesma intensidade aos treinos. Seria impossível descrever aqui todo o impacto positivo que o Método pode ter, mas destacamos abaixo algumas técnicas que são desenvolvidas na prática básica do Método DeRose, e seu efeito sobre o atleta.

– Respiração. O Método DeRose promove um intenso trabalho de reeducação respiratória. Além de aprender a utilizar melhor toda sua capacidade pulmonar e expandi-la, o praticante descobre como respirar de forma a maximizar a quantidade de energia que absorve pela respiração. O ser humano, em situações limite, pode passar alguns dias sem comida e um par de dias sem água – mas não aguentamos mais do que alguns minutos sem respirar. Oxigênio é nosso principal combustível. O atleta pode melhorar seu rendimento aprimorando sua alimentação e hidratação, mas desperdiça um enorme potencial de aumento de desempenho se não se dedica a aperfeiçoar a forma como respira.

O praticante descobre, também, a relação direta que existe entre respiração e estados emocionais e mentais, e aprende a tomar as rédeas desse processo. Quando estamos descontraídos, a respiração é mais longa e os batimentos cardíacos são mais lentos. Ao contrário, quando estamos tensionados, a respiração é curta e os batimentos são mais rápidos. Normalmente, somos escravos dessa estrutura. Com as técnicas do Método DeRose, no entanto, passamos a agir de forma consciente para reproduzir esse mecanismo no sentido inverso – aceleramos a respiração para aumentar os batimentos e o estado de alerta, e diminuímos seu ritmo para reduzir os batimentos e a ansiedade. Nem é preciso dizer que isso é de grande valia para o triatleta, que poderá atuar de maneira eficaz para reduzir a ansiedade antes de uma prova, diminuindo o ritmo respiratório, ou acelerar a respiração para alcançar aquele estado de atenção em que o corpo fica pronto para responder com o máximo de sua performance.

– Técnicas Corporais. As técnicas corporais utilizadas na prática trabalham de forma inteligente a força e a flexibilidade do praticante, proporcionado um sensível aumento do tônus muscular e reforço das articulações, e consequentemente reduzindo o risco de lesões. O praticante desenvolve, ainda, uma profunda consciência corporal, aprimorando a sua movimentação como um todo e entendendo e respeitando os sinais do corpo. Esse é um ativo valiosíssimo para o atleta de alta performance, que precisa de uma aguda percepção do que ocorre em seu interior para explorar ao máximo seu potencial sem se exceder.

Outro fator interessante é que na vivência das técnicas corporais enfatiza-se a permanência máxima em cada posição, em detrimento da repetição, que ocorre só em casos de exceção. A permanência mais longa permite que o corpo encontre o encaixe da técnica e explore seus efeitos mais profundos. Nas técnicas que trabalham força muscular, ressalta-se a questão da autossuperação – para permanecer até o fim do tempo indicado, muitas vezes o praticante é obrigado a recorrer não apenas a seus recursos físicos, mas também a toda a sua força emocional e mental. Assim, muitas vezes em 2 ou 3 minutos em uma técnica o praticante enfrenta um desafio análogo ao “muro” encontrado por maratonistas e triatletas em algumas provas, quando só não se desiste por pura determinação. Com o passar dos meses e anos, o praticante se familiariza com esse momento, e até descobre como encontrar conforto numa situação limite. A aplicação desse condicionamento emocional e mental aos esportes de endurance é direta, e se torna muito mais forte aquela “voz” na cabeça do atleta que diz que ele consegue ir até o fim.

– Descontração. O Método DeRose contém, em sua prática básica, um setor dedicado à descontração. Como nas outras técnicas, seus efeitos se fazem sentir muito além do mero descanso – por sinal, superlativo – da musculatura e do corpo físico, mas atingem também as emoções e pensamentos do praticante. Como resultado, acelera-se enormemente o processo de recuperação dos picos de stress a que submetemos nosso corpo e nosso psiquismo, sejam em decorrência de um treino forte ou de um dia complicado no trabalho. Além disso, processa-se no praticante uma verdadeira reorganização interna, permitindo que ele identifique com clareza aquilo que é ou não importante em sua vida. Está preparado, assim, o campo para a mentalização.

– Mentalização. A mentalização consiste em criar arquétipos mentais daquilo que queremos ver realizado também no plano físico. Diversos estudos já demonstraram que o cérebro estabelece pequena distinção entre aquilo que é visto pelos olhos e aquilo que é imaginado. Durante a mentalização, criamos em nossa mente um filme mostrando nosso objetivo sendo concretizado. Com o tempo e a repetição, o psiquismo e o próprio corpo físico passam a reconhecer aquele arquétipo como algo real. O triatleta, geralmente pautado por objetivos concretos, ganha um poderoso aditivo para alcançá-los: dia após dia, cada célula de seu corpo receberá a mensagem de que a meta será alcançada. Na hora de serem colocados à prova, o corpo, a cabeça e o coração não terão dúvidas: já viram aquele filme centenas de vezes, e ele sempre tem o melhor final possível.

– Concentração e Meditação. Como sabemos, a distância entre alcançar ou não aquilo a que nos propomos pode ser resumida em uma palavra: foco. O Método DeRose desenvolve de maneira superlativa a capacidade de concentração, que nos permite não apenas executar da melhor maneira a tarefa empreendida, mas também a manter-se no trilho quando buscamos objetivos de médio e longo prazo. O estado de meditação, por sua vez, pode ser descrito como um estado de supraconsciência, em que a vivência do momento presente é tão intensa que é como se o observador, o objeto observado e o ato de observar se fundissem em um só. Encontram-se relatos de atletas de diferentes tipos de modalidade a respeito de estados semelhantes: um ponto em que tudo se encaixa, não há mais esforço, e sobrevém uma sensação de felicidade plena. É essa a zona que todo atleta busca, o momento em que todo nosso potencial vem à tona, simplesmente porque paramos de pensar e permitimos a integração do eu com o que nos cerca.

Feita essa breve explicação, há um elemento em comum que resulta de todos esses diferentes processos: o autoconhecimento. A percepção profunda de si mesmo é fonte não apenas de excelência nos esportes, mas também de êxito no trabalho, nos relacionamentos e na construção de uma vida mais plena, realizada, descomplicada. O Método DeRose proporciona ferramentas únicas para que alcancemos esse que é, em última essência, o desejo maior de cada um de nós: ser feliz.

Conheça nosso canal no YouTube AQUI

Nade, pedale e corra – mas também respire, alongue, fortaleça, descontraia, mentalize, se concentre e medite – *Kona é o limite!

Instrutor Bruno Sousa
Membro da Equipe da Unidade Leblon do Método DeRose
Formado pelo convênio entre a Federação do Método DeRose do Rio de Janeiro e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

*Kona, no Hawaii, é a sede do campeonato mundial do Ironman.

bruno-sousa

Foto do Instrutor Bruno Sousa na competição do L’Etape